quinta-feira, 19 de abril de 2012

JARDINAGEM URBANA ECOLÓGICA

Nos grandes centros urbanos, os jardins podem contribuir para a manutenção do ecossistema, trazendo benefícios e bem estar para você, sua família e vizinhança. Quando cultivamos determinadas plantas, ou adotamos certas ações, cooperamos para o equilíbrio do meio ambiente, garantindo a sobrevivência de espécies nativas da fauna e da flora. Devemos pensar que a jardinagem urbana, além de sua natureza estética, pode exercer uma função ecológica, onde cada indivíduo é parte integrante e ao mesmo tempo responsável pela preservação ambiental.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Cultivando Ar Puro

A poluição do ar em interiores é atualmente considerada uma das principais ameaças à saúde. Tentativas para reduzir a incidência da "síndrome dos edifícios doentes" têm resultado em aumento de ventilação, uso de materiais de construção, equipamentos e mobiliário de baixa emissão e melhores procedimentos de manutenção e prevenção. Porém, os problemas ainda persistem. Ironicamente, a tecnologia proveniente da exploração espacial pode ter revelado soluções tão antigas quanto o próprio planeta Terra.

Como a Terra produz e sustenta ar limpo? A resposta, é claro, é através dos processos da vida das plantas.

Com esse conhecimento básico, cientistas da NASA de Mississippi começaram a estudar o desenvolvimento de recursos ecológicos e sustentáveis que dão suporte à vida. Trabalhando para alcançar esses objetivos, estes cientistas descobriram o que os jardineiros já sabiam há décadas: que as plantas ajudam a aliviar o estresse.

Testes realizados dentro de câmaras de teste seladas revelaram que plantas domésticas comuns têm a capacidade de purificar e revitalizar o ar, removendo produtos químicos voláteis. A pesquisa comprovou que as plantas podem de fato se tornar um componente integral de edificações saudáveis, sendo residências ou escritórios, e como diferentes plantas podem melhorar o ar da "zona pessoal de respiração"de um indivíduo. De acordo com os cientistas, duas plantas de sombra em vasos de 35 a 40cm podem limpar o ar em um espaço de 10m².

50 espécies foram descritas e listadas de acordo com uma avaliação geral da sua habilidade de remover vapores químicos, facilidade de cultivo, suscetibilidade a infestações de insetos e índice de transpiração (umidificação).

Abaixo, estão listadas algumas destas plantas:

Chrysalidocarpus lutescens – areca palma
Rhapis excelsa – ráfia
Spathiphyllum sp. – lírio da paz
Dracaena fragrans "Massangeana" – coqueiro de vênus
Epipremnum aureum – jibóia
Chrysanthemum morifolium – crisântemo
Gerbera jamesonii – gérbera
Philodendron erubescens – imbé
Sansevieria trifasciata – espada de São Jorge
Chlorophytum comosum – clorofito







FONTE: How to Grow Fresh Air, Soluções Sustentáveis - Permacultura Urbana

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Plantas Aromáticas

Em todo jardim deve haver ao menos um local tranqüilo para sentar, no qual uma pessoa – ou duas – poderá conectar-se com seu interior e estar em contato com nada além da natureza. (Christopher Alexander)

Em um centro urbano, nos envolvemos diariamente em muitas atividades e nos deparamos com ruas barulhentas, automóveis e todo tipo de poluição, que resultam em cheiros sintéticos desagradáveis. Precisamos de um refúgio – um lugar calmo e sereno, para nos recompor no final do dia. Fragrâncias naturais de árvores e flores trazem benefícios psicológicos e nos conduzem à introspecção.

Aromas estão diretamente associados às emoções e às lembranças. Relaxantes, energizantes, estimulantes ou sedutores, eles são capazes de criar uma nova atmosfera. O cheiro da terra molhada, por exemplo, pode nos remeter às brincadeiras da infância ou a uma tarde aconchegante na varanda de casa.


Fenômenos naturais como chuvas, ventos e brisas suaves revelam o perfume de rosas, temperos e lavandas. O simples fato de regarmos um pé de arruda libera seu aroma. Existem também muitas plantas que, durante a noite, liberam perfumes maravilhosos. A luz da lua cheia em um jardim perfumado tem efeito mágico.

A combinação de flores que exalam aroma suave quando o vento sopra com espécies que revelam seu perfume intenso durante a noite garante um jardim sempre aromático. Porém, para poder curtir um exemplar de fragrância marcante o ideal é não misturá-lo a outros.


Seguem algumas espécies aromáticas:

Clerodendron fragrans – clerodendro-perfumado
Jasminum azoricum – jasmim-dos-açores
Thunbergia fragrans – tumbérgia-branca
Lavandula dentata – lavanda, alfazema
Brunfelsia uniflora – manacá-de-cheiro, geretataca, primavera, romeu-e-julieta
Calibrachoa sellowiana – calibracoa
Gardenia augusta – jasmim-do-cabo, gardênia
Ipomoea alba – dama-da-noite, boa-noite, bona-nox
Cestrum nocturnum – dama-da-noite, flor-da-noite, jasmim-da-noite, rainha-da-noite
Camellia japonica – camélia
Rosa rugosa – roseira rugosa
Rosa multiflora – rosa-silvestre
Rosa lucieae – roseira-trepadeira





FONTE: Plantas Ornamentais do Brasil, Plantas Tropicais - Guia Prático para o Novo Paisagismo Brasileiro, Soluções Sustentáveis - Permacultura Urbana, Revista Casa e Jardim Nov. 2011 nº 682.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Pronunciamento do Cacique Seattle - 1854

(Discurso pronunciado após a fala do encarregado de negócios indígenas do governo norte-americano haver dado a entender que desejava adquirir as terras de sua tribo Duwamish).
O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa terra, o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade.
Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano.
Minhas palavras são como as estrelas que nunca empalidecem.
Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo, cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada véu de neblina na floresta escura, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho.
O homem branco esquece a sua terra natal, quando - depois de morto - vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia - são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos da campina, o calor que emana do corpo de um mustang, e o homem - todos pertencem à mesma família.
Portanto, quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O grande chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, porque esta terra é para nós sagrada.
Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendermos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar d'água é a voz do pai de meu pai. Os rios são nossos irmãos, eles apagam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora, deixa para trás os túmulos de seus antepassados, e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mãe - a terra - e seu irmão - o céu - como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto.
Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende.
Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das assa de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende; o barulho parece apenas insultar os ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou, de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou recendendo a pinheiro.
O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum - os animais, as árvores, o homem.
O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe o seu último suspiro. E se te vendermos nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado com a fragrância das flores campestres.
Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que (nós - os índios) matamos apenas para o sustento de nossa vida.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais, logo acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si.
Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados; para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra - fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios.
De uma coisa sabemos. A terra não pertence ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.
Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, envenenando seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não são muitos. Mais algumas horas, mesmos uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará, para chorar sobre os túmulos de um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
Nem o homem branco, cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para amigo, pode ser isento do destino comum. Poderíamos ser irmãos, apesar de tudo. Vamos ver, de uma coisa sabemos que o homem branco venha, talvez, um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Talvez julgues, agora, que o podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra; mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem branco. Esta terra é querida por ele, e causar dano à terra é cumular de desprezo o seu criador. Os brancos também vão acabar; talvez mais cedo do que todas as outras raças. Continuas poluindo a tua cama e hás de morrer uma noite, sufocado em teus próprios desejos.
Porém, ao perecerem, vocês brilharão com fulgor, abrasados, pela força de Deus que os trouxe a este país e, por algum desígnio especial, lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é para nós um mistério, pois não podemos imaginar como será, quando todos os bisões forem massacrados, os cavalos bravios domados, as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. Onde estará a águia? Irá acabar. Restará dar adeus à andorinha e à caça; será o fim da vida e o começo da luta para sobreviver.
Compreenderíamos, talvez, se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar desejos para o dia de amanhã. Somos, porém, selvagens. Os sonhos do homem branco são para nós ocultos, e por serem ocultos, temos de escolher nosso próprio caminho. Se consentirmos, será para garantir as reservas que nos prometestes. Lá, talvez, possamos viver o nossos últimos dias conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará vivendo nestas floresta e praias, porque nós a amamos como ama um recém-nascido o bater do coração de sua mãe.
Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Proteja-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse: E com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração - conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus, esta terra é por ele amada. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.)"

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Americanas desenvolvem horta adaptada para janela

Plantação hidropônica possui sistema que permite cultivo em casa, em qualquer condição climática (por Globo Rural Online).
O cultivo de uma horta dentro de casa tem sido o desejo dos que optam por uma alimentação saudável e orgânica. Mas nem sempre as condições climáticas e de espaço possibilitam a plantação. Pensando em resolver o dilema, as nova-iorquinas Britta Riley e Rebecca Bray desenvolveram o projeto Windowfarms (Fazendas de janela, em tradução livre). O trabalho consiste em um sistema vertical, hidropônico, adaptado para a janela de casas e apartamentos, com garrafas recicladas, tubos para irrigação e um equipamento chamado de “air pump”, que faz com que a água circule nos tubos.
Segundo as criadoras do projeto, o sistema é ecologicamente correto e necessita de pouca energia, além de utilizar uma solução orgânica de nutrientes para fertilização. Se a luz do sol também não chegar até a janela onde o sistema está instalado, lâmpadas fornecem iluminação artificial para ajudar no crescimento da planta. As hortas de janela permitem o cultivo de manjericão, coentro, camomila, alface, hortelã, mostarda, tomilho e até tomate. O equipamento custa entre R$ 170 e R$ 400. Assista o vídeo sobre o projeto (em inglês):


http://www.youtube.com/watch?v=PkCuPrsPn_I&feature=player_embedded#!


































domingo, 14 de novembro de 2010

Paisagismo como Meio de PRESERVAÇÃO


As florestas tropicais e subtropicais, embora ocupem apenas 7% da superfície seca terrestre, apresentam a mais rica diversidade biológica do planeta, abrigando 50% dos organismos vivos que dividem a Terra conosco. Plantas, fungos, animais e microorganismos ali convivem em perfeito equilíbrio.
Estima-se que apenas 20% de todas as espécies no mundo foram descobertas e a maioria das 80% desconhecidas possivelmente será extinta antes de ser identificada.
Logo, apenas minúsculos fragmentos de florestas nativas sobrarão: a população humana mundial pulou de 2,5 bilhões, em 1950, para 6 bilhões, sendo que 50% desse aumento ocorreu nos últimos 25 anos. Nosso nível de vida, nossas expectativas de vida aceleram dia após dia a destruição da Terra. O caráter da atmosfera mudou, solos e áreas agricultáveis estão sendo degradados, perdendo grande parte de sua fertilidade. A extinção se acelera acima dos níveis aceitáveis e imagináveis.
Nestes tempos, muito se fala, mas pouco se faz. Os seres humanos não terão sucesso em reduzir os níveis de destruição se esperarem por soluções milagrosas. Mas individualmente, muito poderá ser feito, com grandes resultados e rapidez. Cabe apenas a cada um de nós a decisão de fazer a diferença.
Tantos anos exploramos inescrupulosamente nosso ecossistema, sem nos preocuparmos com as graves conseqüências sobre todos os seres, sem nos lembrarmos de que nosso futuro depende da união de todos eles.
Para oferecer um meio à preservação, podemos começar pelo nosso próprio ambiente, com a reintrodução dos jardins.

FONTE: Plantas Tropicais - Guia Prático para o Novo Paisagismo Brasileiro (Juliana Vilaça)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Espiral de Ervas

No projeto permacultural, a espiral de ervas é posicionada tradicionalmente o mais próximo possível da cozinha, para facilitar o acesso. As ervas são usadas para alimentação (como temperos e bebidas saudáveis) e para cura. Se o pátio de sua casa é pequeno, uma série de espirais de ervas pode ser o jardim ideal, pois além de bonitas, elas economizam espaço, sem deixar de produzir.
Com pedras, tijolos, telhas ou bamboo, marque uma base circular de 1,6m de diâmetro. Antes que o círculo se complete, comece a empilhar as pedras, formando uma espiral voltada para dentro.
Para ganhar altura, cuidadosamente introduza mais pedras, enquanto a espiral é preenchida com solo.
À medida que a espiral sobe, os espaços produtivos e as bordas aumentam, criando diferentes microclimas úteis.
Plante as ervas considerando a variação de solo e as necessidades de cada planta. O topo da espiral tende a ser mais seco e a base mais úmida (até mesmo pantanosa). Enquanto houver bastante sol em um dos lados, haverá sombra no outro.











segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Atraindo BORBOLETAS

"O segredo não é correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você." (Mário Quintana)


As borboletas são criaturas encantadoras e parte integrante do ecossistema. Interdependentes da natureza, sua principal função é a polinização das flores e a consequente produção de frutos e sementes.

As flores-borboleta, ou asclépias (Asclepias physocarpa), fornecem às borboletas monarcas alimento e local para cuidar de suas larvas, além de uma defesa química eficaz contra vários predadores. As monarcas extraem essa substância presente nas asclépias, tornando-se venenosas à maioria dos vertebrados. Mas atualmente estas flores são alvo da pulverização em larga escala de pesticidas ao longo das estradas e nas propriedades rurais. Com isso, as populações de borboletas também estão ameaçadas.

Para atrair borboletas e garantir que elas residam em seu jardim, é preciso fornecer néctar, através de determinadas plantas anfitriãs nativas da sua região, que servem de abrigo e comida para seu estágio inicial (lagartas). Na fase adulta, procuram alimento em flores vermelhas, laranjas, rosas e roxas, planas, agrupadas ou em forma de tubos, das quais conseguem extrair o néctar.

Borboletas precisam de sol para orientação e para secar e esquentar suas asas para o vôo. Uma pequena bacia d'água com pedras lisas é ideal para descansarem e tomarem um pouco de sol. Crie quebra-ventos onde for preciso, pois a brisa calma permite que elas voem livremente.

Experimente atrair borboletas com as plantas listadas abaixo:

Evolvulus glomeratus – azulzinha
Calendula officialis – calêndula
Zinnia elegans – zínia
Bidens sulphurea – cosmo amarelo
Echinacea purpurea – cometa roxo
Helianthus laetiflorus – girassol
Wedelia paludosa – mal-me-quer
Tithonia sp – margarida mexicana
Achillea millefolium – mil folhas
Pentas lanceolata – estrela-do-egito
Justicia brandegeana – camarão
Lantana camara – lantana-cambará
Thunbergia fragrans – tumbérgia-branca









FONTES: "Soluções Sustentáveis - Permacultura Urbana", "Plantas Ornamentais no Brasil" e "Plantas Tropicais: Guia Prático para o Novo Paisagismo Brasileiro"

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ECOCIDADES – O Que São?


Ecocidades são cidades ecologicamente saudáveis. Não existem tais cidades. Há fragmentos de ecocidades espalhados pelas cidades atuais e através da história. Percebemos intenções da ecocidade nas atuais tecnologias de reciclagem, de energia solar e eólica, nos projetos de revitalização de rios, jardinagem urbana e plantação de árvores frutíferas. Indivíduos que preferem andar a pé, de bicicleta ou usar transporte coletivo ao invés do automóvel, nos dão indícios de um futuro diferenciado. Arcosanti, Arizona (Soleri) e Cerro Gordo, Oregon são protótipos de ecocidades.

SITUAÇÃO ATUAL: Cidade, Natureza e o Principal Agente do seu Declínio.

Biorregionalistas apontam para a importância da aprendizagem sobre o local onde vivemos: clima, temperatura, geologia, solo, animais, plantas e a história completa das suas inter relações com os humanos. Esse conhecimento nos alerta dos impactos sobre a natureza. Não se pode sentir falta daquilo que se desconhece.

Cidades poderiam ser reconstruídas para se enquadrarem em suas biorregiões de maneira não destrutiva e ainda regenerativa, através de uma coevolução e suporte mútuo com a natureza.

Um futuro saudável requer mudanças e um crescimento diferenciado. Algumas cidades encolhem, tornando-se muito mais compactas, outras dividem-se em unidades menores, enquanto o aumento populacional ocorre ou não.

“Sem dúvida, o mais destrutivo agente causador da desintegração social, contaminação ecológica, do envenenamento de pessoas e do meio ambiente, do desperdício de energia e até mesmo de homicídio é o automóvel.” Carros permitem a ampla ocupação do solo, tornando as pessoas dependentes do veículo individual.

PRINCÍPIOS DA CONSTRUÇÃO DAS ECOCIDADES:

As razões que sustentam a idéia das ecocidades são a defesa, a exploração e a apreciação da vida na Terra. A maior conquista possível para uma biosfera saudável seria a evolução da diversidade humana em conjunto com a da natureza.

CIDADES “CHATAS”, CIDADES COMPACTAS:

As altas densidades devem ser combinadas com “mixed uses” (usos mistos).
Diversidade é saudável nos sistemas ecológicos, na sociedade e na economia das cidades. “Sprawl” (alastramento) força as pessoas a viverem em uniformidade e assim, a percorrerem longas distâncias, poluindo o meio ambiente e ainda desperdiçando energia.
Desenvolver zonas menores, ou “pontos” de grande diversidade nos bairros é muito útil para o transporte público, favorecendo os pedestres e evitando o congestionamento de carros.

Podemos adotar uma “política de proximidade”, que consiste em empregar, alugar, emprestar, comprar de / para pessoas que moram no local. Transporte público funciona melhor quando move as pessoas de um ponto ativo (de concentração) para outro.

REDUÇÃO DA LARGURA DAS RUAS:

O estreitamento das ruas deve acontecer em bairros de densidade média. Não se deve reduzir a largura de corredores de trânsito e vias artérias. Espaço para jardinagem pode ser adicionado ao pátio das casas, do lado ensolarado da rua, plantando-se árvores frutíferas e vegetais que não empeçam a passagem do sol. Do outro lado da rua, onde há bastante sombra decorrente das casas, é um bom local para plantação de nogueiras e frutíferas maiores. Pouco tráfico significa que os vegetais podem ser cultivados no jardim da frente sem risco de acumular poluentes. Placas solares são empregadas, no caso, voltadas para o sul. Bairro integral: “mixed-use”. Várias funções estão conectadas no local: moradia, emprego, escolas, recreação, natureza, agricultura.


EDIFÍCIOS ALTOS, DENSIDADES ALTAS:
Ocupação Plana X Desenvolvimento Compacto:

- Construções de maior altura poupam grande área do solo para a natureza e para a agricultura;
- Salvam energia e previnem poluição, favorecendo pedestres e ciclistas;
- Criam diversidade social (comércio e cultura);
- Podem gerar vários telhados verdes escalonados, favorecendo a natureza e o ar puro, bem como uma ocupação de espaço completamente nova;
- Pode-se obter o mesmo programa de uma ocupação plana em uma área muito menor, com maior diversidade e aproveitamento em uma ocupação compacta e elevada;

CONCEITO DA RUA LENTA (Slow Street ou Woonerf):

A Rua Lenta é uma das várias maneiras de desacelerar o trânsito. A velocidade máxima de trânsito permitida é a mesma de uma bicicleta em ritmo de passeio. Neste conceito, sinaleiras apontam para a rua perpendicular à Rua Lenta, garantindo um trânsito lento, porém fluido. Estas ruas, chamadas de “woonerfen” na Alemanha, se tornam lugares, e não simplesmente vias de acesso. Em uma woonerf, o limite de velocidade é tão lento que ultrapassar um pedestre é considerado ilegal!

ILUSTRAÇÕES:

Centro em transformação: de uma “cidade-carro” para uma cidade ecológica para pedestres.
Um típico centro de cidade com seus “edifícios-caixa” e conseqüentes estacionamentos, associando congestionamento, fuligem resultante da poluição e pavimentação impermeável do solo, para futuro alastramento da cidade.



Centro em transição: reestruturação do centro da cidade.


Reciclagem e reuso dos materiais de construção, recuperação das fontes naturais de água que haviam sido enterradas, adição de infra-estrutura para pedestres e a reconstrução baseada em uma transição para um tipo “mixed-use” e “desenvolvimento equilibrado”, nas quais as atividades mais importantes serão providenciadas dentro de uma distância curta.





Centro de ecocidade: utilizando uma fração da energia gasta anteriormente, ocupando menor área e abrindo lugar para a natureza.






Fluxos naturais de água restaurados, passarelas entre edifícios, ruas para os pedestres, tecnologia de energia solar, acessos para “ruas” elevadas nos terraços. Aos poucos, as pessoas estão se mudando dos subúrbios em direção aos centros, usando fonte de renda de desenvolvimento para comprar e remover as edificações das áreas dependentes do uso de carros.





(Trechos traduzidos do livro “Ecocity Berkeley”, de Richard Register)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

PADRÃO DE LINGUAGEM 199 – Balcão Ensolarado

Christopher Alexander

PADRÃO 199 – Balcão Ensolarado




...Para deixar a cozinha o mais aconchegante e bela possível, vale dar atenção especial no posicionamento do balcão e das janelas.


PREMISSA:

Cozinhas escuras e sombrias são deprimentes. A cozinha é o ambiente que mais precisa de sol.


FATO:

Veja como é belo a área de trabalho da cozinha da imagem abaixo. Praticamente todo balcão é delineado por janelas. A superfície está banhada de luz e há bom senso de espaço interno.

Há vista para for a e um ar de tranqüilidade.




Compare com esta cozinha sombria. Não há luz natural sobre o balcão. Os armários são desordenados; é uma experiência desprezível trabalhar nesta área – debaixo de um armário, de frente para uma parede com luz artificial em pleno dia.



Esta cozinha escura e sombria é típica das casas modernas, por duas razões:

1 – Com freqüência as pessoas reservam o norte para as salas de estar e posicionam as cozinhas nas áreas restantes, voltadas para o sul;

2 – A cozinha é pensada como um lugar “eficiente”, projetada apenas para operações mecânicas de cozimento.

Em muitos apartamentos, as cozinhas estão posicionadas onde não recebem nenhuma luz natural.

POSSIBILIDADES:

Dê às janelas uma vista para o jardim ou para uma área onde crianças brincam.

Se o espaço para depósito for apertado, pode-se colocar prateleiras abertas, para a armazenar pratos, panelas e plantas, rente às janelas e ainda assim deixar o sol penetrar no ambiente.

Construa o balcão como parte especial do ambiente, integrado com a estrutura da edificação, capaz de aceitar modificações futuras.

Use cores quentes ao redor para suavizar e aquecer a luz do sol.

PORTANTO:

Coloque a parte principal do balcão da cozinha voltados para o norte e nordeste do ambiente, com grandes janelas ao redor, para que o sol possa inundar e preencher o espaço com luz amarelada tanto na manhã quanto na tarde.

PADRÃO DE LINGUAGEM 181 – O Fogo

Christopher Alexander

PADRÃO 181 – O Fogo




...Este padrão tem influência sobre o modo com que os caminhos e as salas se relacionam entre si.


PREMISSA:

Não há substituto para o fogo.




FATO:

A televisão geralmente oferece foco para um ambiente, mas não passa de um fraco substituto para algo que, de fato, está vivo e tremeluzente dentro de uma sala. A necessidade do fogo é quase tão fundamental quanto a necessidade da água.

O fogo é um ponto de referência emocional, comparável às árvores, outras pessoas, uma casa, o céu.



A declaração mais convincente sobre a necessidade do fogo que encontramos está no livro “The Psychoanalysis of Fire”, de Gaston Bachelard:

“O fogo confinado em uma lareira foi para o homem o primeiro objeto de devaneio, o símbolo do repouso, um convite para o repouso. O fogo nos aquece e nos conforta. Mas nós apenas nos tornamos conscientes dessa sensação de conforto após um longo período de contemplação das chamas. Quando próximo do fogo, deve-se estar sentado, descansar sem dormir e engajar-se no devaneio de um objeto específico”.

Os defensores da teoria da formação utilitária da mente não aceitarão uma teoria tão irreverente no seu idealismo e irão apontar os inúmeros usos do fogo, para averiguar exatamente quais são os interesses que temos nele: o fogo não apenas transmite calor, mas cozinha alimentos.

Mediante uma dose extra de prazer, o fogo se mostra amigo do homem, e não se limita ao cozimento. A conquista do supérfluo nos garante uma excitação espiritual maior que a conquista do necessário. O homem é uma criação do desejo e não uma criação do necessário.

Fogo, para quem o contempla, representa uma súbita mudança ou evolução circunstancial; menos monótono e abstrato que a água. O fogo sugere o desejo de transformação, acelerar a passagem do tempo, concluir sobre a vida. Nessas circunstâncias, o devaneio torna-se dramático e fascinante: a destruição é mais que uma simples mudança, é renovação. Amor, morte e fogo são desconectos ao mesmo tempo. Perder o todo para receber o todo. A mensagem do fogo é clara: “Após receber tudo através da habilidade, do amor ou da violência, deve-se renunciar a tudo, aniquilar-se”.




Mrs. Field, citada em “A Casa e a Arte de seu Design”, de Robert W. Kennedy, apresenta um ponto de vista mais terreno:

“As chamas do fogo na lareira acalmam e relaxam. O fogo incita a imaginação, o conto de histórias e tem uma qualidade hipnótica e benéfica sobre as pessoas”.




Devemos encarar o fato de que em muitas partes do mundo, o fogo proveniente do uso da madeira e do carvão não é ecologicamente saudável. Eles poluem o ar, são ineficientes para calefação e esgotam as reservas de madeira.

Se quisermos manter o hábito de fazer fogo em casa, devemos encontrar uma maneira mais suplementar para manter esse conforto emocional, produzindo nosso próprio combustível a partir de materiais descartáveis como papel, tecido, sobras de madeira, serragem, etc.


POSSIBILIDADES:

Certamente, a lareira principal deve ser localizada em uma área comum da casa. Isso ajudará a atrair as pessoas para este local e as chamas proverão uma espécie de contraponto à conversa.

Entretanto, a lareira deve estar à vista das pessoas atravessando a sala, e das pessoas em salas adjacentes, principalmente a cozinha. O fogo tenderá a atrair as pessoas, mantendo-as unidas. A melhor hora para acender o fogo é ao final da tarde, quando a família se reúne para comer. Esta atividade tende a estabelecer um equilíbrio entre a cozinha e o fogo.

Garanta a existência de um espaço onde as pessoas poderão sentar em frente ao fogo e que este espaço não seja interrompido por passagens entre portas e salas adjacentes.

Assegure-se que a lareira não seja um espaço morto enquanto o fogo não esteja aceso. Uma lareira sem fogo, cheia de cinzas e escura afastará as cadeiras ao redor, a não ser que estas cadeiras encarem outra coisa enquanto não houver fogo – uma janela, ou vista, ou uma atividade. Somente então, as cadeiras que circundam a lareira serão estáveis e manterão o local vivo, mesmo com o fogo apagado.


PORTANTO:

Construa o fogo em um espaço comum – talvez na cozinha – onde ele fornece um foco natural para conversas e sonhos e pensamentos. Ajuste a localização até que ele costure os espaços sociais e salas adjacentes, oferecendo a cada um deles um relance do fogo; e faça uma janela ou algum outro foco que sustente o ambiente enquanto o fogo estiver apagado.

PADRÃO DE LINGUAGEM 163 – Sala Externa

Christopher Alexander

PADRÃO 163 – Sala Externa


...Toda edificação tem salas onde as pessoas ficam, convivem e conversam. Sempre que possível, estas salas precisam ser embelezadas por uma “sala” ao ar livre próxima.


PREMISSA:

O jardim é um local para se deitar na grama, andar de balanço, jogar bola, plantar flores, brincar com o cachorro. Mas há outra maneira de se estar ao ar livre e suas necessidades de forma alguma se encontram no jardim.


FATO:

Para algumas horas do dia, alguns estados de espírito e tipos de amizade, as pessoas precisam de um lugar para comer, sentar usando roupas formais, beber, conversar e aquietar-se e ainda assim, estar ao ar livre.

Elas precisam literalmente de uma sala externa – um espaço parcialmente fechado, ao ar livre, mas bastante parecido com uma sala, para que as pessoas se comportem como se estivessem num ambiente interno, porém com a adição de belezas naturais como sol, vento, folhas, aromas e grilos.

Todo edifício precisa de uma sala externa acoplada a ele, entre ele e o jardim. Além disso, muitos dos lugares especiais em um jardim – locais ensolarados, terraços, gazebos – precisam ser concebidos como salas externas.

A inspiração para esse padrão partiu do capítulo “The Conditioned Outdoor Room”, de Bernard Rudofsky, no livro “Behind the Picture Window” (New York Press, 1955).

Em uma casa-jardim bem projetada, as pessoas devem poder trabalhar e dormir, cozinhar e comer, brincar e descansar.

Como regra geral, o habitante do nosso clima não faz uso do seu entorno imediato. O máximo que ele concebe é uma varanda cercada.

Como regra geral, o habitante do nosso clima não faz uso do seu entorno imediato. O máximo que ele concebe é uma varanda cercada. O jardim, se é que ele existe, permanece desocupado nos períodos entre festas. De fato, quando se fala sobre “ar livre”, raramente ele se refere ao seu jardim. Ele não pensa no seu jardim como um espaço de estar em potencial.

O uso recente de paredes de vidro alienou o jardim. Até mesmo a “janela-moldura” tem contribuído para separar o interior do exterior; tornando o jardim um local de observação.

O conceito histórico de casa-jardim é inteiramente diferente. Jardins domésticos eram valorizados principalmente por sua habitabilidade e privacidade, duas qualidades que estão ausentes hoje em dia. Mesmo pequenos, eles tinham todos os ingredientes de um ambiente feliz.

Esses jardins eram parte essencial da casa, podendo ser definidos como salas desprovidas de teto. Eram verdadeiras salas de estar ao ar livre.

O material utilizado nas paredes e nos pisos dos jardins romanos eram equivalentes aos usados no interior das edificações. Quanto ao teto, era sempre o céu.

Um espaço ao ar livre se torna uma sala externa especial quando ele é bem definido por paredes, colunas, treliças e céu; e quando esta sala, juntamente com um espaço interno forma uma área de estar virtualmente contínua.

As imagens abaixo demonstram diferentes combinações de elementos para estabelecer o fechamento de um espaço. Cada um é relacionado de maneira levemente diferente com a sua edificação. Rudofsky, no livro citado anteriormente, descreve inclusive como transformar o recuo de jardim em uma sala externa.



PORTANTO:

Construa um local ao ar livre cercado o suficiente para transmitir a sensação de uma sala, mesmo que esta se abra para o céu. Para isto, defina os cantos com colunas, talvez cubra-o parcialmente com uma treliça ou telhado de lona removível e crie “paredes” ao redor, utilizando cercas, paredes baixas, telas ou as paredes da própria edificação.

PADRÃO DE LINGUAGEM 161 – Local Ensolarado

Christopher Alexander

PADRÃO 161 – Local Ensolarado




...Este padrão ajuda a embelezar e a dar vida a qualquer ambiente ao ar livre voltado para o sul (norte para quem vive no hemisfério sul) e, em uma situação onde o ambiente está voltado para leste ou oeste, ele pode ajudar a modificar a edificação para que a parte efetiva ao ar livre fique com face para o sol.


PREMISSA:

O entorno imediato da edificação, voltado para o norte – o ângulo entre suas paredes e a terra onde o sol se põe – deve ser pensado e transformado em um lugar que permite com que as pessoas de aqueçam e se exponham ao sol.


FATO:

Nas edificações, as áreas externas devem estar voltadas para o norte, mas esse simples fato não garante que as pessoas usufruirão desse ambiente ao ar livre.

Um jardim, ou pátio, não será útil a menos que nele exista um local ensolarado e de importância funcional, específica e intencionalmente voltado para o sol, unindo ambientes internos e externos




Uma faixa de sombra entre uma edificação e uma área ensolarada pode ser uma barreira. Isto nos leva a crer que os locais ensolarados mais importantes ocorrem diretamente sobre as paredes externas dos edifícios, as quais as pessoas podem ver do interior e ir diretamente ao encontro da luz. Estes locais são ainda mais convidativos se eles são colocados próximos a uma divisa, uma parede baixa ou coluna, que poderão prover recintos para que as pessoas possam sentar e aproveitar o sol.

Para que de fato o lugar funcione, deverá haver algo especial que seja atrativo às pessoas: um balanço, uma vista, uma área de plantio, um degrau no qual se possa sentar e observar uma fonte de água.




PORTANTO:

Em um jardim, pátio ou quintal voltado para o norte, encontre o local entre a edificação e o ambiente ao ar livre que capta o melhor sol. Desenvolva esta área como um local ensolarado especial – faça dele uma sala externa importante, um local para trabalhar ao sol, ou para um balanço e algumas plantas especiais, um local para tomar banho de sol. Cuidado para posicionar este local em uma área protegida do vento, pois este o impedirá de desfrutar do mais belo lugar.

PADRÃO DE LINGUAGEM 66 – Solo Divino

Christopher Alexander

PADRÃO 66 – Solo Divino




...Nós definimos a necessidade de um ciclo de vida completo, com rituais de passagem entre estágios deste ciclo – o Ciclo da Vida; e nós recomendamos que certas partes de terra sejam preservadas por causa da sua importância e significado – Sítios Sagrados. Este padrão oferece a organização detalhada do espaço ao redor destes lugares. Esta organização é tão poderosa, que em alguma extensão ela própria consegue criar o ambiente sagrado dos sítios, talvez até mesmo encorajar a emergência vagarosa dos rituais de passagem.


PREMISSA:

O que é uma Igreja ou Templo?

É um local de adoração, espírito, contemplação. Mas, sobretudo, do ponto de vista humano, é uma porta de entrada. Uma pessoa penetra no mundo através da igreja. Ela o deixa através da igreja. E, a cada etapa importante de sua vida, ela mais uma vez passa pela Igreja.


FATO:

Os rituais que acompanham o nascimento, a puberdade, o matrimônio e a morte são fundamentais para o desenvolvimento humano. A não ser que estes rituais recebam o peso emocional que eles requerem, é impossível para um homem ou uma mulher passarem adequadamente de uma etapa de vida para outra.



Em todas as sociedades tradicionais, onde esses rituais são tratados com enorme poder e respeito, os rituais, de uma forma ou outra, são sustentados por partes do entorno físico que tem o caráter de portas. Claro que uma porta de passagem não cria um ritual. Mas também é verdade que rituais não se desenvolvem em ambientes que os ignora ou os torna triviais.





Em termos funcionais, é essencial que cada pessoa tenha a oportunidade de entrar em uma espécie de comunhão social com seus semelhantes durante esses pontos cruciais de suas vidas. Essa comunhão social, neste momento, necessita fixar raízes em algum local que seja reconhecido como uma espécie de porta de entrada espiritual para estes eventos.

Que formato físico ou organização deve ter esta “porta” para ser a base de rituais de passagem e para criar a santidade, a divindade e o sentimento de conexão com a terra que os torna significativos?

Seus detalhes serão variáveis, tomando formas diferentes em culturas diferentes, requerendo entornos físicos diferentes como base. Entretanto, há algo fundamental e invariável em todas elas: o que quer que seja sagrado, somente será percebido como sagrado se for difícil de ser alcançado, através de uma série de camadas de acessos, espera e níveis – de aproximação, revelação gradual, a passagem por uma série de portas.



Esta estratificação ou ninhada de recintos parece corresponder a um aspecto fundamental da psicologia humana.

Cada comunidade necessita de algum lugar onde essa sensação de acesso lento e progressivo até um centro sagrado, através de portas, possa ser experimentada.

Quando tal lugar existe em uma comunidade, ainda que não associado a nenhuma religião concreta, o sentimento de santidade gradualmente tomará vida, entre as pessoas que compartilham dessa experiência.



POSSIBILIDADES:

Em cada espaço entre recintos, construa uma porta de passagem - em cada porta, um lugar para pausar com uma nova visão rumo ao próximo local interno e no santuário interior, algo muito quieto e inspirador... Talvez uma vista ou nada mais que uma simples árvore ou piscina.



PORTANTO:

Em cada comunidade e vizinhança, identifique algum sítio sagrado como solo divino e forme uma série de recintos consecutivos, cada um marcado por uma porta de entrada e progressivamente mais privado e mais sagrado que o anterior, sendo que o mais interno dos recintos só poderá ser alcançado através da passagem por todos os anteriores.